segunda-feira, 30 de abril de 2012

Eu quero Tchu, eu quero Tcha!

Uma cena simbólica ocorreu no futebol espanhol esse fim de semana. O brasileiro Daniel Alves comemorou o quinto gol do Barcelona contra o Rayo Vallecano, com a estúpida dancinha do "Quero Tchu, Quero Tcha". Ao contrário do que ocorre no Brasil, onde uma porção de comentaristas alimentam esse tipo de atitude, sob o argumento imbecil que futebol é diversão ou que isso faz parte do "futebol moleque" brasileiro, no time do Barcelona a comemoração pegou mal e foi repreendida pelo zagueiro e líder do time Puyol e pelo técnico Guardiola. Daniel Alves guardou essa comemoração especial justamente após o Barcelona sofrer dois grandes reveses em seu ano – eliminação na Champions e uma derrota para o Real Madri – além do anúncio que o técnico Pepe Guardiola estaria deixando o clube após o término do seu vínculo. Por baixo de toda fumaça de exaltações que cobriram o Barcelona, que em diversas vezes saia do campo do elogio e partia para o terreno da bajulação barata, há sim grandes qualidades nesse Barcelona e a principal dela, em minha opinião, é manter jogadores e técnico com identificação pelo clube. A comemoração de Daniel Alves, além de desrespeitosa contra um time imensamente inferior, destoa da tristeza dos principais atletas durante a semana com a saída de seu treinador. O jogador de imediato se desculpou pelo ocorrido, até porque o Barcelona é muito para ele e não ao contrário.
Aqui no Brasil as dancinhas e gracejos em comemorações de gols viraram febre, principalmente quando feitas pelo pupilo-mor de nossa imprensa o Neymar. Não há dúvidas que o Neymar é craque, alias, o único craque em atividade por aqui, pois sujeitos como Ganso e Lucas nada mais são do que bons jogadores com um trabalho de marketing muito intenso para que sejam vendidos como craques. Também não vejo Neymar como um sujeito mau caráter como é o caso do "Neymar de outrora" (Ronaldinho Gaúcho), mas não há duvidas que ele foi forjado nessa mentira criada de que o futebol brasileiro deve ser irreverente. O Flamengo de Ronaldinho Gaúcho e Vagner Love foi ridiculamente eliminado na primeira fase da Libertadores e mesmo numa situação que exigia seriedade e comprometimento, os jogadores não pouparam passinhos de funk nas comemorações dos gols. Para quem acredita que essa irreverência seja inerente ao futebol brasileiro e que ir contra isso é quase uma ofensa patriótica, lembrem-se dos times e seleções vitoriosas por aqui e faça uma comparação de quantos desses eram irreverentes e quantos apenas jogavam bola. O mais patético é que essas comemorações de hoje em dia não são aleatórias e espontâneas, elas seguem tendências e promovem músicos ou até programas esportivos.  
Há quem defenda esse tipo de comemoração traçando um paralelo com o futebol americano e esse é o argumento que mais abomino e cago em cima. É incomparável a paixão que cerca o futebol com qualquer outro esporte no mundo, pois o futebol não é esporte, futebol é futebol. Um americano jamais entenderia isso. O torcedor não assiste futebol para se entreter, pois não é uma diversão e sim um ritual que envolve devoção, dor e emoção. Quem se encontra nesse estágio não aceita brincadeirinhas e nem é justo cobrar que aceite, por tanto uma gracinha como essa pode gerar consequências desastrosas.
Um vídeo que retrata muito bem o que é ser um torcedor de futebol é este:



Você imagina uma emoção assim em qualquer outro esporte?
Para não cair na armadilha da incoerência eu nunca gostei desse tipo de comemoração nem no Palmeiras. Achava ridículas as comemorações do Paulo Nunes e sou totalmente contra os gracejos do Valdivia. Eu gostava mesmo era das comemorações do Evair, do velho e tradicional abraço nos companheiros e vibração junto a torcida. O que esperar de uma geração de jogadores que cagam e andam para os torcedores do seu clube, que na hora da comemoração dos gols procuram uma câmera para fazer graça. Preocupam-se mais de aparecer num programinha esportivo infame do que ser aclamado pelos torcedores de seu clube. Parabéns ao Puyol e ao Guardiola por condenarem essa aberração, espero que o técnico leve essa cultura a outros times que ele venha dirigir. 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Coincidência?

Desde domingo surgiram uma dezena de especulações sobre o motivo da queda de rendimento do Palmeiras, alias, essas explicações vem sendo buscadas desde o fatídico jogo contra o Corinthians.

Parte grossa da imprensa chutou a contratação Wesley, digo chutou porque o que temos hoje não são jornalistas investigativos e sim especulativos, que tratam fofocas ou opiniões como informação. Outra parte enfatizou a derrota no clássico e os prejuízos psicológicos que isso causou, mas pouca gente comentou sobre um fato ocorrido logo após o jogo contra o Corinthians, que apesar de desmentido vem se mostrando não tão "desmentível".

Lembram que o Lance divulgou uma tal lista de dispensa de atletas? De imediato o treinador repudiou a tal lista, dizendo que não existia nada disso, tanto que o Chico seria escalado como titular no jogo seguinte. Bom, coincidência ou não o elenco do Palmeiras passou a não mostrar a mesma disposição nos jogos que se seguiram, pode ser que apenas por uma deficiência técnica, mas até mesmo em outros clássicos o Palmeiras tinha demonstrado mais "entusiasmo". Os jogadores não cansam de falar que o grupo é unido e não é de se duvidar disso e uma lista antecipada de dispensa poderia causar mal estar do grupo com o treinador. Apesar do desmentido os nomes que continham nessa lista estão mesmo saindo: Tinga, Chico, Gerley, Ricardo Bueno, Fernandão... O que mostra que tal lista não surgiu do nada.

Lógico que é apenas uma hipótese, pode ser que não tenha nada haver, de qualquer modo alguém de dentro do Palmeiras vazou essa lista para imprensa – para variar – com intuito de tumultuar mais ainda as coisas. Todos esses que estão saindo tem que sair mesmo, mas até então faziam parte do elenco do Palmeiras, treinavam junto e muitas vezes entraram no time. Precipitar uma informação desse jeito é no mínimo amador. Esta na hora de se identificar quem é o alcaguete para ele entrar na lista de dispensas. Nessas horas que entendemos um pouco do porquê de tantos fracassos.

    

segunda-feira, 23 de abril de 2012

A dor que já estamos acostumados.

Nós palmeirenses não gostamos de ouvir algumas coisas, por exemplo, temos dificuldade de nos encarar hoje como a quarta força de São Paulo, que na década atual nosso retrospecto de vitórias é de time médio e que hoje o Palmeiras não pode ser considerado favorito em campeonato nenhum que disputa. Vivemos sob o estigma do perdedor, por exemplo, ontem eu não tive coragem de falar nada após o jogo do Corinthians, pois no fundo eu sabia que algo semelhante ou pior poderia acontecer com o Palmeiras. Não é pessimismo barato, mas há anos os vexames, as pipocadas tem sido recorrentes, como um drama obrigatório. A grande diferença entre nós palmeirenses e um torcedor da Lusa rebaixada, por exemplo, é que nós somos herdeiros de uma história colossal, de um time que livre dessa decadência institucional que nos assola desde a década de 80, seria de longe o time com mais conquistas em todo tipo de campeonato. Especificamente o jogo e a eliminação de ontem foi apenas mais um dos dramas dessa desgraça em loop que se tornou o Palmeiras. Podemos e devemos reclamar dos frangos do Deola, da mediocridade do Daniel Carvalho na armação, da facilidade com que o time do Guarani driblava e entrava na nossa zaga e da incompetência e soberba do Felipão, que desde que chegou não conseguiu ao menos dar um padrão tático ao time, mesmo tendo uma "carta branca" da diretoria e da torcida jamais dada a nenhum outro técnico antes dele. Mas sinceramente, não consigo diferenciar essa eliminação daquela contra o Santo André na Copa do Brasil, contra o Goiás na Sulamericana, contra o Vasco na Mercosul, contra o Asa de Arapiraca na Copa do Brasil, contra o Paulista de Jundiaí no Paulista, e assim vai. Todas essas, independente de terem sido nos pênaltis ou no jogo normal, foram doloridas e tiveram seus vilões.
Eu, como muitos outros palmeirenses, defendo também a saída de Felipão, não só por mais um fracasso como o de ontem, mas por crer também que a maior fatia da culpa não é dele, e sim de algo crônico no Palmeiras, que entra técnico, sai técnico, entra jogador, sai jogador e continua igual, por isso acho um desperdício gastar tanto com um cara que conseguiu os mesmos resultados de outros bem menos consagrados. Vou mais além, para preservar nossos "ídolos" eu defendo que jamais se contrate alguém que teve uma passagem vitoriosa pelo time, pois muito provavelmente a nova passagem desgastará a anterior. Mas quem contratar? Não sei! Qualquer um, pois é muito provável que terá o mesmo destino de Luxemburgo, Muricy, Felipão ou até do Mourinho se esse aceitasse essa pica em sua carreira.
Seja honesto comigo amigo palmeirense, honesto comigo e consigo mesmo, gente como a que comanda o Palmeiras, como a que vive aparecendo na mídia para conturbar o ambiente em troca de benefício próprio, merece o sucesso? Como associar um time campeão a uma figura da postura do nosso presidente? Um sujeito que jamais deveria ser lembrado como presidente do Palmeiras, responsável pelo apequenamento do clube. É justo que pessoas capazes de torcer contra o time quando estão na oposição sejam lembradas como vitoriosos? Que frutos merece uma diretoria que nem mesmo culhão de se manifestar contra as injustiças que o time sofre? Está na cara que esse ano será mais um ano medíocre e começo duvidar até mesmo que um título mudaria o rumo do barco, porque a doença está aí exposta para todos nós palmeirenses enxergar e não há cura a não ser extirpar, e mesmo assim, não se sabe a dimensão da infecção, talvez essa esteja até generalizada. Quando torço pelo Palmeiras, torço por algo que já está no meu imaginário, pois me causa repulsa as figuras que orbitam em torno do clube. Enoja-me ouvir declarações e entrevistas de gente como Tirone, Frizzo, Tirone, Gilto, Piraci, Pescarmona e Palaia. São imbecis, verdadeiros palhaços que expõe milhões de torcedores a momentos vexatórios. Tenho ódio dessas pessoas, ódio franco, pois sei que esse é o tipo de gente que munem escrotos como Fredy Jr. e Perrone.
A dor de uma eliminação como essa é grande, mas infelizmente nós palmeirenses temos nos acostumados com isso, o que mais incomoda é no fundo saber que não merecíamos melhor sorte e que não fazemos ideia de quando mereceremos. Tenho muitas dúvidas se ainda temos o tamanho que achamos ter, pois não somos mais a nossa história e sim um clube administrado por uma corja de filhos da puta, incompetentes e covardes. 

terça-feira, 20 de março de 2012

A sentença para os subservientes!

Este provavelmente é meu último texto para este blog. Agradeço aos amigos palmeirenses que nesse período dedicaram um período de seu tempo para ler, opinar ou discordar do que escrevi. Não sou um bom escritor nem mesmo um exímio entendedor de futebol e jamais tive a pretensão de assim ser considerado, sou apenas um palmeirense comum, apaixonado pelo time e que precisava de um canal para poder manifestar suas opiniões e indignações a respeito do que vem acontecendo nos últimos tempos com o Palmeiras. Há na rede inúmeros blogs e sites de palmeirenses, com ótimas opiniões, notícias e analises muito bem feitas, que são fundamentais como alternativa para essa imprensa podre que temos em nossa terra. Eu tenho perdido a vontade de escrever, pois estou descrente no futebol e me sinto um verdadeiro palhaço perdendo meu tempo se preocupando com algo decidido nos bastidores. A cada dia mais os interesses políticos e financeiros de alguns grupos tem decidido quem é quem no futebol brasileiro e grande parte dos torcedores não tem o mínimo discernimento para tomar consciência de tudo isso e prosseguem seu destino de cardume, movimentando-se para lá e para cá, repetindo frases babacas apenas orientados pela direção que apontam.

É evidente que há algum tempo o Palmeiras tem sido o time mais esculachado pela imprensa, parte por culpa própria e parte pelo ódio latente nutrido por alguns jornalistas. Ontem foi aberta mais uma página de desrespeito a nossa tradição e ao tamanho de nossa torcida, talvez o maior de todos. A rede Globo e a CBF suprimiu a transmissão de jogos do time a miseras quatro partidas e marcou jogos em dias e horários absurdos, digno de times sem expressão alguma. Obviamente isso não é por causa meramente de IBOPE, pois mesmo sem ter números em mãos, duvido que somos o time de menor audiência dentre todos os grandes. Esse movimento foi muito agudo para ser definido como uma mera estratégia televisiva, duvido que os diretores da emissora dona do futebol no Brasil, são tão burros para de um ano para o outro reposicionar o 2º time que mais teve jogos transmitidos em 2011 para o último entre os grandes. É óbvio que isso tudo é uma espécie de retaliação, tal qual o ano passado foi feito com o São Paulo. Agora os motivos que não são tão evidentes, pode ser por conflito de interesses de patrocinadores, questões políticas ou uma mera animosidade entre o jornalismo tialaiferano da Globo e o Palmeiras. Fato é que com isso aquele palmeirense que não tem dinheiro para pagar uma TV a cabo e que não costuma ir tanto aos estádios será impedido de assistir seu time vez ou outra. Outro agravante é que o Palmeiras está negociando o patrocínio da omoplata e a pouca exposição inevitavelmente desvaloriza o espaço na camisa.

O que mais me magoa em tudo isso é que nossos dirigentes sempre mantiveram uma postura de cordeiro em relação a CBF e a Globo. Juro que teria o maior orgulho se assim estivéssemos sendo boicotados em razão de alguma rebeldia do Palmeiras, mas não, nem sequer nesse momento tivemos a manifestação de alguém do Palmeiras indignado com a situação, pelo contrário, Roberto Frizzo deu entrevista dizendo que acha bom o horário das 21:00h no sábado a noite, uma postura absolutamente subserviente e repugnante. Ninguém respeita um imbecil sem posicionamento, respeita-se até os inimigos menos os puxa-sacos. O São Paulo bateu de frente com Globo e CBF ano passado, foi boicotado, mas aposto que ganhou respeito, tanto que este ano, depois de uma aproximação, já tomou o lugar do Palmeiras nas transmissões. Como se dissessem: Tome o lugar desse idiota, pois esse não reclama e não faz diferença. Infelizmente é assim! Hoje a rede Globo, CBF e FPF podem literalmente cagar aos montes em cima do Palmeiras sem terem medo de qualquer reação. Tudo será acatado e continuará a mesma coisa. O futebol no Brasil tem um dono, que mexe as peças do tabuleiro conforme seu ânimo e pelo visto as coisas continuaram assim ainda por muitos e muitos anos, lamentavelmente.

Como pronunciamento final deste blog, deixo essas palavras:

- Foda-se a rede Globo;

- Foda-se o Ronaldo gordo;

- Fodam-se o Tirone, Frizzo, Mustafa, Piraci, Gilto e todos esses vermes decrépitos malditos;

- Fodam-se a CBF, FPF, Sulamericana, FIFA e qualquer outra instituição com um monte de vagabundo que vive do dinheiro do futebol;

- Fodam-se o marketing esportivo, as frases feitas e a alienação do torcedor;

- Fodam-se esses jogadores sem caráter, que ostentam carrões, correntes de ouros e vagabundas, que se não fosse essa merda de fanatismo do futebol, não passariam de estúpidos, inúteis para humanidade;

- Fodam-se os comentaristas esportivos que agem por interesse de empresários ou paixão clubística;

- E fodam-se intensamente todos aqueles que transformaram o futebol nesse lixo, terreno de políticos e mafiosos. 

terça-feira, 13 de março de 2012

Novos tempos

É evidente que como todo palmeirense, estou feliz e empolgado com a goleada de domingo sobre o Botafogo de Ribeirão Preto. Independente de o adversário ser fraquíssimo, pior talvez que muitos times da primeira fase de Copa do Brasil, o Palmeiras mostrou um futebol muito melhor do que vinha demonstrando todo esse tempo, coincidência ou não, mas os volantes demonstraram uma evolução absurda, principalmente o Marcio Araújo. Se há algum tempo ficávamos ansiosos com o surgimento de alguma falta perto da área, agora o gol parece poder surgir de outras possibilidades. Outro fator positivo foi que o Palmeiras deu todas dentro em termos de contratações e nesse aspecto tenho de tirar o chapéu à diretoria e ao César Sampaio. Enquanto nossos rivais não acertam bons laterais, temos ao menos dois disputando posição pela direita (Cicinho e Arthur) e pela esquerda o Juninho parece não ter estranhado a camisa e está jogando muita bola. O centroavante também foi outra bola dentro, apesar de ter perdido uma chance clara de gol no primeiro tempo, Barcos sabe jogar e parece já estar entrosado com Maicon Leite e Valdivia.

Apesar de toda essa euforia, creio que o Palmeiras começará ser provado na hora que precisar disputar jogos decisivos, algo que tem sido muito difícil nos últimos anos. Caso esse time consiga enfim conquistar um título, tudo mudará e creio que nós palmeirenses viveremos dias melhores. Pode ser bipolaridade, mas estou confiante que esse ano terá motivos para comemorar.


9nine, marketing e a morte do futebol como o conhecemos.


É natural que as coisas mudem, não podemos ser inocentes em achar que o futebol ficaria alheio a tudo, como se fosse um terreno resguardado da invasão dos interesses econômicos. Há anos que nossos sacerdotes midiáticos clamam por um modelo europeu ao futebol brasileiro, só se esquecem que tudo que se importa para o Brasil sofre algumas anomalias que acentua os efeitos colaterais. Um exemplo disso é a privatização das estradas, nosso Governo orgulha-se em dizer que aqui em São Paulo possuímos as melhores estradas do Brasil e que o pedágio é uma realidade no mundo todo, de fato, na Europa e Japão também existem estradas pedagiadas, a única grande diferença é que no resto do mundo respeita-se um direito sagrado do cidadão - de ir e vir – e alternativas não pedagiadas são mantidas para quem não está disposto a pagar, já no Brasil ou você paga ou não pode ir nem vir.

O início foi a tal Lei Pelé, que transferiu o direito do passe do time ao atleta e posteriormente ao empresário. Essa lei deu vazão a criatividade brasileira de "dar rasteiras" e os clubes formadores de jogador começaram a perder atletas aos montes sem receber um centavo, através do assédio de outros clubes ainda nas categorias de base e dos artifícios legais encontrados por empresários para tirar o atleta do clube antes mesmo do término de seu contrato. Isso matou todos os times do interior que não tinham outra fonte de renda a não ser a venda de atletas e agora apenas cedem sua camisa a empresários. O São Paulo foi o time que se adaptou mais rapidamente a essa versão brasileira de futebol moderno e assediou jogadores a torta e a direita, encontrando subterfúgio moral na alegação de que os atletas queriam o São Paulo devido a sua estrutura. Foi o São Paulo também que começou a trabalhar o seu "marketing" de modo mais agressivo, vendendo a imagem de time de sucesso agregou a sua torcida milhares de torcedores da nova geração, mais interessados no status de torcer por um time vencedor do que no fato de realmente torcer por um time de futebol, algo muito diferente. A imprensa que também levou sua parte no quinhão elevou o São Paulo aos céus, transformando-o em modelo para os demais times brasileiros. Um a um os times começaram de forma desastrada tentar criar ações de marketing, sem se importar com o fato que a relação que o torcedor tem com o time é diferente da relação que um consumidor tem com um produto, exceção feita a esses "novos torcedores". 

Quando todos tentavam copiar o "sucesso" são-paulino, eis que surge uma série de empresários com uma nova estratégia de futebol e se alia ao Corinthians e ao seu então presidente Andrés Sanches. O princípio se deu numa tentativa frustrada (ou não) de aliar o time a um grupo que lava dinheiro comprando e vendendo jogadores, essa parceria não deu certo e resultou na queda do time. Essa foi uma oportunidade para que o marqueteiro corintiano usasse de forma maquiavélica, porem eficiente a paixão da torcida pelo seu time. A ideia era valorizar o sofrimento do corintiano e o tamanho de sua torcida, temas que já lhe eram auto-atribuídos, para que o torcedor comprasse a ideia que só ele seria capaz de carregar o time para cima novamente.  Isso tudo aliado ao conceito político vigente no país e a influência que um time de massa pode ter no resultado de eleições. Foram criados slogans, canções, camisas e a torcida respondeu e realmente se sentiu parte daquilo tudo. Todo esse sofrimento não se refletiu na hora de fazer contratações, parecia que de repente acharam um poço de petróleo dentro do clube e um time que estava beirando a falência passou a fazer extravagâncias financeiras.  O time subiu (que não é grande coisa) e uma nova fase da estratégia seria inaugurada o que estava em jogo agora não era apenas formar um bom time, era exposição na mídia para atrair patrocinadores, foi então que houve a ideia de contratar, ou melhor, convidar Ronaldo como um quase sócio. Esse já estava praticamente com a carreira encerrada como jogador, mas ainda tinha grande prestígio com a torcida brasileira pelo que ele fez e pelo muito que lhe atribuíram ter feito. O sucesso dessa estratégia definiria o novo rumo do futebol brasileiro e deu certo, o Corinthians foi campeão paulista e da Copa do Brasil e Ronaldo fez belos gols nas finais. A camisa do Corinthians foi loteada como um abadá de micareta e Ronaldo ficou com boa parte dos lucros disso tudo.  Mais uma vez os outros clubes iniciaram uma nova corrida atrás de meios no marketing para subsidiar suas loucuras. Nesse período fomos testemunhas de verdadeiras aberrações, tipo conseguir um pool de patrocinadores para trazer jogadores decadentes como Luis Fabiano e Ronaldinho Gaúcho, contratar um jogador chinês de segunda linha só para fazer barulho e até mesmo fazer uma vaquinha de nome sofisticado para tentar trazer um atleta com um preço superdimensionado.

Ronaldo que sempre foi um fenômeno em vender sua imagem, tão logo se aposentou sob o pretexto de uma tireoide, juntou-se a alguns empresários e abriu uma empresa de nome 9nine, que já foi inaugurada com um grandes clientes, atraídos pela influência do gordo. Uma das atividades da empresa é trabalhar a imagem do atleta, e a tática é tentar transformar seus clientes em rockstars. No caso do Neymar foi mais fácil pois ele joga bola, mas no caso Lucas por exemplo, tentam a todo custo colocá-lo como um novo ídolo do futebol nacional, quando é evidente que não passa de um jogador razoável com raros lampejos de craque. Essa semana meteram o tal Lucas a dar uma camisa autografada para o Príncipe Harry da Inglaterra, na mesma semana em que o jogador está sendo questionado até pela sua torcida. É o sinal dos tempos, onde o jogador antes de se consagrar no futebol se consagra na mídia. Acho que essa é uma realidade sem volta.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

De volta e de verde

Voltei de férias, mas durante todo período em que viajei continuei acompanhando o Palmeiras pelos meios que foi possível. A sensação é de animação com algumas coisas e de preocupação com outras.
Ontem contra o São Paulo o time começou bem, muito melhor do que na quinta-feira contra o Oeste. Óbvio que em alguns pontos ainda há deficiência, mas no geral o time estava muito bem e parecia que seria uma jornada fácil. Milagrosamente o Palmeiras acertou nas suas contratações deste ano. Juninho pela lateral não é ótimo, mas é bem regular e cumpre bem sua função, melhor que o Gabriel Silva; Daniel Carvalho é um ótimo meia quando disposto, tem um passe de muita qualidade, é criativo e sabe chutar a gol, seu único defeito é a evidente falta de condicionamento físico para aguentar a partida toda; Barcos tenho até receio de falar e queimar a língua, mas nas poucas partidas que fez se mostrou uma qualidade muito superior a todos centroavantes que passaram pelo Palmeiras nos últimos anos, ontem marcou dois gols, sendo que no segundo mostrou habilidade e frieza dentro da área. Em contrapartida ainda convivemos com algumas deficiências que travaram o time em 2011. Todos os volantes são medíocres ofensivamente, criando muita dependência da inspiração do meia ou dependência de bola parada; Felipão ainda não caiu na real que a entrada dos "mesmos" volantes não ajuda em nada para segurar resultados; Maikon Leite ainda oscila muito de jogador hábil e veloz para jogador burro e veloz.
A interferência de juízes contra o Palmeiras em clássicos é algo que já nem merece mais desgaste, devemos contar com isso, por isso atribuo mais burrice ainda para o Cicinho no pênalti. O chapéu do Cortês não daria em nada e era evidente que ele cairia a qualquer encostão que levasse.  O Cicinho foi espalhafatoso ao tentar conter com o braço o jogador, alias, ontem o Cicinho fez uma péssima partida, tomou um suador do tal Fernandinho e ainda foi discreto no ataque. É bom ele começar a jogar bola que agora ele tem um reserva que o ameaça.
No segundo tempo ficou claro que com o esgotamento físico do Daniel Carvalho o time ficou manco e passou a arriscar mais uma vez as jogadas diretas da defesa ao ataque. Em uma das poucas jogadas mais trabalhadas saiu o terceiro gol do Palmeiras. O tal do Fernandinho parece se inspirar contra o Palmeiras e toda hora cavava uma faltinha ou arrumava alguma jogada perigosa, numa dessas acertou um chute que são-paulino nenhum acreditava que ele era capaz, antes ele havia feito falta parecida com a do Cicinho, mas aí voltamos a falar da tendência dos árbitros nos clássicos.
O empate foi frustrante, pois na grande parte do jogo o Palmeiras jogou muito melhor que o São Paulo, como tem acontecido em outros clássicos. Às vezes parece que o Palmeiras se apavora com um placar favorável num jogo importante e acaba fazendo merda. Espero que no quadrangular final o time pare de dar essas vaciladas.

Vaquinha do Wesley

Quando a diretoria da uma dentro ela da três fora. O Palmeiras a pouco tempo anunciou um belo patrocínio de camisa que rendeu (ou renderia) um bom dinheiro ao clube. Agora com essa situação do Wesley a diretoria apaga o pequeno lapso de competência.
Não que Wesley seja uma má contratação. Creio eu inclusive que a contratação de um volante de qualidade seja vital para o time almejar algum título, não sei se o Wesley seria tiro certo, mas ele jogou bem no Santos. O problema é que o Palmeiras esticou essa novela até agora, trouxe o cara para o Brasil, inscreveu o cara no campeonato, agora bota a responsabilidade de arrumar o dinheiro nas costas da torcida.
Como eu já disse uma vez, o único dividendo do torcedor é o time estar forte e honrado a camisa dentro de campo, para isso ele sempre dá mais do que ganha, mas nesse caso em específico o verbo "dar" tem uma significado absolutamente literal - é depositar na conta mesmo - sem ter a garantia se esse dinheiro será mesmo bem trabalhado ou todo destinado a essa operação. Parece aquelas igrejas que cobram dos fiéis doações, como se sua devoção e fé não fossem o suficiente. Talvez se a diretoria fosse mais próxima de sua torcida, isso teria até algum sentido, mas no Palmeiras a diretoria caga para opinião do torcedor, se não cagasse não levaria os clássicos para os quintos dos infernos, acataria os manifestos de eleições diretas ou de afastamento de algumas figuras comprovadamente nefastas ao Palmeiras, mas não, o torcedor palmeirense é colocado a parte de qualquer decisão, como se aquilo que administram se limitasse apenas aos muros do clube. Agora a solução para não micar o negócio é justamente a contribuição direta em grana deste torcedor.
Cada um é cada um e doa quem quer, mas eu acho que Palmeiras teria meios suficientes para contratar um jogador desse valor sem apelar para esse tipo de ação. Esse é um tipo de pioneirismo que eu dispenso.
Ficam algumas perguntas no ar:
- Se o pagamento é em três parcelas anuais, porque arrecadar tudo, inclusive impostos, numa só operação?
- Onde foram aplicados alguns valores como: verba de TV, patrocínios de camisa e venda de jogadores?
- Por que só não trouxeram o jogador depois de tudo definido?


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Férias!

Férias
Ficarei um tempo sem escrever por aqui pois tirarei merecidas férias.
Espero que no meu retorno o Felipão enfim tenha colocado esse time para jogar, o Barcos seja regularizado e faça os gols que esperamos dele, que o Tirone - agora com um bom patrocínio de camisa - traga um volante de qualidade e mais um atacante e que o Márcio Araújo e o Luan enfim estejam apenas no banco.
Grande abraço a todos e boa sorte para nós.