terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

De volta e de verde

Voltei de férias, mas durante todo período em que viajei continuei acompanhando o Palmeiras pelos meios que foi possível. A sensação é de animação com algumas coisas e de preocupação com outras.
Ontem contra o São Paulo o time começou bem, muito melhor do que na quinta-feira contra o Oeste. Óbvio que em alguns pontos ainda há deficiência, mas no geral o time estava muito bem e parecia que seria uma jornada fácil. Milagrosamente o Palmeiras acertou nas suas contratações deste ano. Juninho pela lateral não é ótimo, mas é bem regular e cumpre bem sua função, melhor que o Gabriel Silva; Daniel Carvalho é um ótimo meia quando disposto, tem um passe de muita qualidade, é criativo e sabe chutar a gol, seu único defeito é a evidente falta de condicionamento físico para aguentar a partida toda; Barcos tenho até receio de falar e queimar a língua, mas nas poucas partidas que fez se mostrou uma qualidade muito superior a todos centroavantes que passaram pelo Palmeiras nos últimos anos, ontem marcou dois gols, sendo que no segundo mostrou habilidade e frieza dentro da área. Em contrapartida ainda convivemos com algumas deficiências que travaram o time em 2011. Todos os volantes são medíocres ofensivamente, criando muita dependência da inspiração do meia ou dependência de bola parada; Felipão ainda não caiu na real que a entrada dos "mesmos" volantes não ajuda em nada para segurar resultados; Maikon Leite ainda oscila muito de jogador hábil e veloz para jogador burro e veloz.
A interferência de juízes contra o Palmeiras em clássicos é algo que já nem merece mais desgaste, devemos contar com isso, por isso atribuo mais burrice ainda para o Cicinho no pênalti. O chapéu do Cortês não daria em nada e era evidente que ele cairia a qualquer encostão que levasse.  O Cicinho foi espalhafatoso ao tentar conter com o braço o jogador, alias, ontem o Cicinho fez uma péssima partida, tomou um suador do tal Fernandinho e ainda foi discreto no ataque. É bom ele começar a jogar bola que agora ele tem um reserva que o ameaça.
No segundo tempo ficou claro que com o esgotamento físico do Daniel Carvalho o time ficou manco e passou a arriscar mais uma vez as jogadas diretas da defesa ao ataque. Em uma das poucas jogadas mais trabalhadas saiu o terceiro gol do Palmeiras. O tal do Fernandinho parece se inspirar contra o Palmeiras e toda hora cavava uma faltinha ou arrumava alguma jogada perigosa, numa dessas acertou um chute que são-paulino nenhum acreditava que ele era capaz, antes ele havia feito falta parecida com a do Cicinho, mas aí voltamos a falar da tendência dos árbitros nos clássicos.
O empate foi frustrante, pois na grande parte do jogo o Palmeiras jogou muito melhor que o São Paulo, como tem acontecido em outros clássicos. Às vezes parece que o Palmeiras se apavora com um placar favorável num jogo importante e acaba fazendo merda. Espero que no quadrangular final o time pare de dar essas vaciladas.

Vaquinha do Wesley

Quando a diretoria da uma dentro ela da três fora. O Palmeiras a pouco tempo anunciou um belo patrocínio de camisa que rendeu (ou renderia) um bom dinheiro ao clube. Agora com essa situação do Wesley a diretoria apaga o pequeno lapso de competência.
Não que Wesley seja uma má contratação. Creio eu inclusive que a contratação de um volante de qualidade seja vital para o time almejar algum título, não sei se o Wesley seria tiro certo, mas ele jogou bem no Santos. O problema é que o Palmeiras esticou essa novela até agora, trouxe o cara para o Brasil, inscreveu o cara no campeonato, agora bota a responsabilidade de arrumar o dinheiro nas costas da torcida.
Como eu já disse uma vez, o único dividendo do torcedor é o time estar forte e honrado a camisa dentro de campo, para isso ele sempre dá mais do que ganha, mas nesse caso em específico o verbo "dar" tem uma significado absolutamente literal - é depositar na conta mesmo - sem ter a garantia se esse dinheiro será mesmo bem trabalhado ou todo destinado a essa operação. Parece aquelas igrejas que cobram dos fiéis doações, como se sua devoção e fé não fossem o suficiente. Talvez se a diretoria fosse mais próxima de sua torcida, isso teria até algum sentido, mas no Palmeiras a diretoria caga para opinião do torcedor, se não cagasse não levaria os clássicos para os quintos dos infernos, acataria os manifestos de eleições diretas ou de afastamento de algumas figuras comprovadamente nefastas ao Palmeiras, mas não, o torcedor palmeirense é colocado a parte de qualquer decisão, como se aquilo que administram se limitasse apenas aos muros do clube. Agora a solução para não micar o negócio é justamente a contribuição direta em grana deste torcedor.
Cada um é cada um e doa quem quer, mas eu acho que Palmeiras teria meios suficientes para contratar um jogador desse valor sem apelar para esse tipo de ação. Esse é um tipo de pioneirismo que eu dispenso.
Ficam algumas perguntas no ar:
- Se o pagamento é em três parcelas anuais, porque arrecadar tudo, inclusive impostos, numa só operação?
- Onde foram aplicados alguns valores como: verba de TV, patrocínios de camisa e venda de jogadores?
- Por que só não trouxeram o jogador depois de tudo definido?


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Férias!

Férias
Ficarei um tempo sem escrever por aqui pois tirarei merecidas férias.
Espero que no meu retorno o Felipão enfim tenha colocado esse time para jogar, o Barcos seja regularizado e faça os gols que esperamos dele, que o Tirone - agora com um bom patrocínio de camisa - traga um volante de qualidade e mais um atacante e que o Márcio Araújo e o Luan enfim estejam apenas no banco.
Grande abraço a todos e boa sorte para nós.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Será que só ele não tem culpa?

O jogo de ontem contra o Catanduvense para mim foi decepcionante, confesso que fiquei mais puto que de costume e ao contrário de muitos palmeirenses, não consegui sequer extrair algo positivo. Minha maior raiva não foi pelo pênalti imbecil cometido pelo Leandro Amaro, nem mesmo pelos gols perdidos pelo Ricardo Bueno ou tampouco por ter quase perdido para um time que acabou de subir de divisão no Paulista e que jamais em sua história ter marcado um gol no Palmeiras, mas por aparentar que se passou quase 2 anos e o Felipão não ter conseguido fazer esse time do Palmeiras jogar bola, independente dos jogadores em campo.

Até agora Felipão é blindado pela torcida do Palmeiras devido à empatia conquistada na sua última passagem, todos já receberam sua parcela de culpa e foram punidos. Desde a metade de 2010, quando ele assumiu, a torcida o poupou da eliminação da Sulamericana 2010 para o Goais, uma colocação pífia no Brasileiro de 2010, da derrota na semifinal do Paulista 2011 para o Corinthians, da goleada e eliminação da Copa do Brasil 2011 para o Coritiba, eliminação da Sulamericana 2011 para o Vasco, da campanha de merda do Brasileiro de 2011 e cá estamos nós, com o time ainda jogando mal, tendo de correr atrás desesperadamente de um placara contra o Catanduvense. Entendo que no palmeiras nada é fácil, o clima político é pior do que Chernobyl, o elenco não é lá essas coisas, a imprensa joga contra e a torcida é corneteira, mas Felipão teve no Palmeiras o que nenhum treinador teve nos últimos 10 anos, apoio incondicional da torcida para fazer o que quer. Ficamos do seu lado quando ele brigou com Frizzo, quando brigou com Sérgio Prado, quando brigou com Valdivia, quando brigou com a imprensa, quando defendeu o Luan, quando brigou com Kleber, quando dispensou jogadores, quando exigiu outros jogadores, quando cutucou a diretoria através de sua assessoria, enfim, em todas divididas do técnico a torcida comprou sua briga. Mas sejamos honestos, até agora o trabalho de Felipão foi apenas modesto e ao que parece nada mudou para este ano.

Não conseguimos ver o Palmeiras trabalhando uma bola no meio campo, trocando passes até chegar no ataque, toda vez é lançamento para pegar alguém na corrida ou tentativa de jogada individual, nem me lembro qual foi o último gol do Palmeiras saído de uma jogada trabalhada.O Palmeiras erra uma quantidade absurda de passes, pois os jogadores jogam distante entre si e parecem ficar estáticos em suas posições. Veja o exemplo do último jogo, Felipão milagrosamente se arriscou e escalou Maicon Leite na extrema direita, Luan pela extrema esquerda, Ricardo Bueno de pivô e Daniel Carvalho armando – até aí perfeito na teoria– mas na prática o Palmeiras não encaixou em campo, continuou sendo correria pelas pontas, tentativas de ligação direta da zaga para o ataque e muitos passes errados. Marcio Araujo é um volante limitadíssimo, incapaz de produzir qualquer coisa útil no ataque, Luan continua grosso, tentando cruzamentos absurdos e até agora engolimos ambos graças ao carinho de Felipão pela tal eficiência tática de ambos.  Mas que porra de eficiência tática é essa? Correr atrás de bolas que eles mesmos perdem?

Sei lá, pode ser que mude alguma coisa durante a temporada, mas esse jogo contra o Catanduvense me lembrou as dezenas de jogos do ano passado, em que o Palmeiras corre, corre, corre, mas só empata e lamentamos a perda de um gol ou a cagada de um zagueiro. Está na hora do Felipão parar de chiar e botar esse time pra jogar bola como grande que é, pois empatar com Catanduvense é inaceitável.

 

Bota na conta do Del Nero


O Corinthians joga tão mal quanto o Palmeiras, mas sempre há a boa vontade da arbitragem, que compensa qualquer deficiência. Contra o Linense além to tão falado gol anulado, Jorge Henrique (sempre ele) deveria ter sido expulso no fim do jogo, mas contou com a complacência do arbitro. Bota mais essa na conta do Del Nero.


Transmissão de TV          


Ouvimos muita babozeira no último domingo em virtude da Globo ter transmitido o jogo do São Paulo e não do palmeiras. Inclusive teve neguinho de programa de rádio falando que era por audiência. Impressionante a falta de inteligência e de critério de certos sujeitos, pois antes de falar qualquer coisa era só dar uma olhada na tabela para perceber que o São Paulo joga por três rodadas de fim de semana em casa, enquanto o Palmeiras fora e de domingo, portanto se a Globo não transmitisse o jogo do São Paulo domingo passado, provavelmente o time ficaria sem jogos na TV por um longo período, tendo em vista que a preferência no meio de semana é sempre do Corinthians por razões já conhecidas. Domingo que vem teremos Palmeiras de novo na TV. 

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Um time pequeno jogando como grande e um time grande jogando como pequeno

A Portuguesa tem sim um elenco fraco, recheado de jogadores desconhecidos e outros que já rodaram por times grandes mas que nunca se firmaram, porem há de se destacar a filosofia de jogo imposta por Jorginho à Portuguesa. Em 2009, quando o Palmeiras ao seu comendo como interino, disparou na liderança do Brasileiro, chegou-se a cogitar que ele não tinha os méritos pelo futebol que o Palmeiras vinha apresentando e que hora ou outra iria pipocar, contrataram o Muricy por um caminhão de dinheiro e o resto da história já conhecemos. Confesso que fico feliz eu ver o treinador dando a volta por cima e mostrando que é um cara ousado, moderno, querido pelos jogadores e que transformou um time decadente em um time razoável que se movimenta bastante. Claro que há quem diga que é um exagero já colocá-lo como um grande treinador, porem eu gostaria muito de vê-lo novamente no Palmeiras. No jogo de ontem ficou claro que a Portuguesa não deve conquistar nada este ano devido a falta de qualidade de seus atletas na hora de definir uma jogada, no entanto o time da Lusa é ofensivo, adianta a marcação, toca bem a bola e os jogadores se movimentam muito.

Do outro lado o Palmeiras tem um técnico vitorioso, consagrado e que graças a isso ganha uma pequena fortuna por mês. Felipão criou uma receita que lhe rendeu muito sucesso, no Grêmio, Palmeiras, Cruzeiro, seleção Brasileira e Portugal e insiste nessa fórmula nem que morra abraçado a ela. É inegável que os times dirigidos pelo técnico demonstram uma vontade fora do comum e o Palmeiras de hoje tem isso, mas há momentos que a insistência nesse estilo de jogo cansa o torcedor, principalmente quando o time não ganha títulos. Ouço muitos torcedores palmeirenses dizendo que "não é mais o Felipão de antigamente", mas eu penso o contrário, esse é exatamente o mesmo Felipão de antigamente. Ele sempre foi teimoso, retranqueiro e com predileção por alguns jogadores questionáveis, mesmo na época em que se consagrou dirigindo o Palmeiras, sempre houve apostas pessoais dele que ninguém compreendia (lembram do Thiago Silva?). O que o diferencia dos outros é que ele é dedicado ao time que treina, não aceita sacanagens e nem corpo mole e vibra dentro de campo, isso cria uma empatia muito grande com o torcedor, principalmente com o palmeirense que é o torcedor mais passional do Brasil. Ontem o Palmeiras entrou mais uma vez como um time pequeno, preocupado em conter a Portuguesa e esperando que em num contra-ataque ou numa bola parada saísse um gol. Felipão gosta de jogadores voluntariosos e isso que garante vaga no time a caras como Tinga, Marcio Araújo e Luan, mas são jogadores fracos tecnicamente, erram muitos passes e chutam mal a gol. Marcos Assunção é um ótimo batedor de faltas, mas com a bola rolando é apenas regular. Com isso a culpa sempre acaba caindo no centro-avante ou no meia de criação, que se sentem num jogo de fliperama, toca a bola mas não sabe como a receberá de volta. O troca de Tinga por Maicon Leite e de Luan por Daniel Carvalho, não foram coisa de outro mundo, mas mudou totalmente o time, pois aí responsabilidade pelo "bom passe" ficou partilhada entra Valdivia e Daniel Carvalho e sem dúvida Maicon Leite é mais inteligente no último passe que o Luan. Até Ricardo Bueno foi capaz de melhorar depois disso, pois limitações a parte, as coisas ficam mais fáceis para um atacante quando a bola chega redonda.   

Em minha opinião o Palmeiras vem buscando há tempos a solução errada para o time. O grave problema de criação tem início na falta de qualidade dos volantes e mesmo com o melhor centroavante ou meia do mundo, continuaremos sofrendo com a mediocridade de alguns atletas. A bola chega sempre mal da zaga do Palmeiras ao setor ofensivo, pois os atletas responsáveis por essa ligação não são capazes de trocar passes certos e objetivos. Está provado que nos grandes times sempre há grandes volantes ou ao menos, bons volantes. Com Marcio Araujo e Tinga não dá, deveria ter sido procurado substituto para esses atletas, nem que seja na base. Enquanto Felipão insistir em sua receita de bolo com esses atletas o Palmeiras seguirá entrando em campo para se defender e contar com o acaso, pois até é possível ser campeão com um Thiago Silva ou um Galeano, mas não com 3 ou 4 desses jogando juntos como titulares.      


terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Nós contra a renca!


Ontem pude comprovar via Twitter que inúmeros palmeirenses além de mim se indignaram com o tratamento da imprensa sobre a vitória do Palmeiras contra o Bragantino. Creio que todo palmeirense que acompanha as notícias de seu time na mídia nota uma tendência clara de avacalhação em tudo que cerca o time, principalmente quando em comparação com seus rivais. O que assustou no caso específico de ontem é que toda essa coisa extrapolou o limite do limite, pois a despeito de todas atrapalhadas da diretoria, o Palmeiras venceu e mereceu vencer o Bragantino fora de casa e é inaceitável que a imprensa tenha visto um jogo que nós palmeirenses não tenhamos visto, onde o Palmeiras venceu no "sufoco". É questão de justiça, essa vitória do Palmeiras não é contestável, não precisa ser reverenciada como um feito heróico, mas tampouco ser tratada como acaso ou como sem mérito. Em contrapartida, para ajudar a piorar as coisas, a vitória do Corinthians (em casa), com arbitragem polêmica e gol no finalzinho da partida contra o tradicional Mirassol, recebeu tratamento distinto, conforme pode ser comprovado em imagem que circula nos sites da Mídia Palestrina.    

Sabemos que a mídia nunca é imparcial e que são inúmeros os interesses por trás dos meios de comunicação – assunto bem abordado pelo livro Mídia, Máfias e Rock'n Roll de Claudio Tognolli – como também é fato que especificamente no futebol o nível dos profissionais é muito baixo, reinando o CTRL+C / CTRL+V de textos e idéias. Mas nesse caso creio que não sejam esses (ou só esses) os motivos, pois alguns dos profissionais envolvidos – pasmem – são palmeirenses, inclusive o que assinou a polêmica matéria do Lance – Thiago Salata. Veja bem, ninguém quer que um jornalista palmeirense faça papel de palhaço como fazem aqueles sujeitos da Jovem Pan ou o Chico Lang, até porque o dever de todo jornalista é informar tudo que acontece independente de que isso vá agradar ou desagradar, mas há de se ter o bom senso que o ponteiro da imparcialidade não pode chegar a parcialidade negativa.

O repórter do lance não é o único palmeirense na mídia que avacalhou desmereceu o Palmeiras, no mesmo dia na Transamérica, André Galvão que também é palmeirense, adotou o mesmo tom ao falar da vitória do Palmeiras. Mas porque os representantes palmeirenses da mídia, ou melhor, os representantes da mídia que são palmeirenses são mais críticos com o Palmeiras? Não sei. Talvez por não conseguirem esconder a chateação de ver o time acumular maus resultados nos últimos anos. O grande problema é que esse tipo de coisa só contribui negativamente com tudo, pois tira a confiança do time, da torcida e ainda prejudica a imagem do time perante os potenciais patrocinadores e atletas.

Somado a isso há também o fato de que virou moda tentar achar algo errado no Palmeiras, parece que a todo momento os jornalistas que cobrem o Palmeiras tentam descobrir alguma coisa errada, alguma polêmica, alguma intriga, pois essa é a pauta que interessa aos jornais sobre o Palmeiras, principalmente sabendo-se que nos últimos anos alguns veículos intensificaram seu foco na torcida corintiana, simplesmente por ser a maior.

É uma pena que as coisas tenham chegado a esse nível, mas nós palmeirenses devemos aprender filtrar muito o que lemos na mídia e termos a consciência de que agora o Palmeiras precisa de nós torcedores como nunca precisou antes, pois "somos nós contra a renca".

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Faça você mesmo!

Se você palmeirense não pode acompanhar o jogo de ontem contra o Bragantino e tentou ter alguma idéia de como foi através da mídia, deve estar pensando que o Palmeiras tomou um sufoco do Bragantino e ganhou na sorte, chorado, com um golzinho no final do jogo. Pois agora falar mal do Palmeiras é uma espécie de moda no jornalismo esportivo, parece que os jornais disputam para ver quem consegue encontrar mais um problema no Palmeiras.

Ontem por exemplo pouco se ouviu falar da vitória fora de casa sobre um time complicado, pois o Bragantino, ao contrário de Botafogo de Ribeirão Preto e Mirassol, disputa a série B do Brasileirão e ano passado terminou em sexto. A manchete do Lance de hoje, por exemplo, é: Que sufoco! Palmeiras joga mal e vence do gol no final. Concordo que o jogo não foi nenhum primor, mas o Palmeiras criou uma série de chances e em nenhum momento ficou atrás no placar, mesmo jogando fora de casa. Talvez a melhor e mais imparcial manchete fosse: Em jogo difícil, Palmeiras estréia com vitória fora de casa.  Outro fato exaustivamente discutido foi a camisa com patrocínio tapado do Palmeiras, concordo que a Adidas já deveria ter produzido jogos de camisa sem patrocínio, mas até aí não é exclusividade do Palmeiras estar sem patrocínio Master, o São Paulo também não fechou com ninguém e o ano passado jogou boa parte do campeonato sem o tal patrocínio, mas não vejo a mesma insistência em colocar isso como um problema  grave.

Houve também os jornalistas que fizeram questionamentos via Twitter sobre o preterimento da Globo ao Palmeiras (que jogou fora) diante do São Paulo (que jogou no Morumbi) na transmissão da partida, lógico que a alusão foi sempre dando o sentido de que o Palmeiras estava se apequenando, mas o motivo é óbvio se antes de falar o sujeito olhasse a tabela do Paulistão. Situação como ocorreu no Brasileiro de 2011, onde o São Paulo quase não teve transmissão de jogos pela televisão é atípica, pois foi uma clara retaliação da emissora, mas o São Paulo se mexeu para contornar a situação e nomeou o pai de Caio Ribeiro (comentarista da Globo) como diretor de comunicação, logo ele convocou a diretoria da Globo para um encontro e provavelmente selou a paz entre ambos. O Palmeiras joga praticamente todas partidas de fim de semana fora de casa, enquanto Corinthians e São Paulo jogam fora nas quartas-feiras. Se a Globo seguisse a lógica de televisionar só os jogos fora de casa, teríamos por 3 rodadas consecutivas jogos do Palmeiras na TV de domingo e Corinthians na quarta-feira, criando um desequilíbrio nas transmissões. Pode ter certeza que a lógica da Globo será de deixar o Corinthians toda semana na televisão (quarta ou domingo) e o São Paulo e Palmeiras revezando semana sim sema não.

Creio que o melhor nesse momento para o palmeirense seja ignorar (ou não relevar tanto) as críticas da imprensa em relação ao time do Palmeiras e passar a analisar por si próprio, ou através das mídias palestrinas, como foi o jogo, como se comportou o time, senão a sensação é que estamos abaixo do limbo. Siga a lógica do "Faça você mesmo".

Corneta

Como eu disse acima, creio que o Palmeiras não tenha jogado mal e uma vitória, na estréia, fora de casa contra o Bragantino, foi o melhor resultado entre os grandes. Alias, grandes são: Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos. Essa história de que alguns "comentaristas" 

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

A origem da língua Italiana

A Europa era uma confusão de inúmeros dialetos derivados do latim que aos poucos, ao longo dos séculos, se transformaram em alguns idiomas distintos – francês, português, espanhol, italiano.

O que aconteceu na França, em Portugal e na Espanha foi uma evolução orgânica: o dialeto da cidade mais proeminente se tornou, aos poucos, a língua oficial da região toda.

Portanto, o que hoje chamamos de francês é na verdade uma versão do parisiense medieval. O português é na verdade o lisboeta. O espanhol é essencialmente o madrilenho. Essas são vitórias capitalistas; a cidade mais forte acabou determinando o idioma do país inteiro.

Na Itália foi diferente. Uma diferença importante foi que, durante muito tempo, a Itália sequer foi um país. Ela só se unificou bem tarde (1861) e, até então, era uma península de cidades-Estado em guerra entre si, dominadas por orgulhosos príncipes locais ou por outras potências europeias. Partes da Itália pertenciam à França, partes à Espanha, partes à Igreja, e partes a quem quer que conseguisse conquistar a fortaleza ou o palácio local.

O povo italiano se mostrava alternativamente humilhado e conformado com toda essa dominação. A maioria não gostava muito de ser colonizada por seus co-cidadãos europeus, mas sempre havia aquele bando apático que dizia: "Franza o Spagna, purchè se magna" que, em dialeto, significa: "França ou Espanha, contanto que eu possa comer".

Toda essa divisão interna significa que a Itália nunca se unificou adequadamente, e o mesmo aconteceu com a língua italiana. Assim, não é de espantar que, durante séculos, os italianos tenham escrito e falado dialetos locais incompreensíveis para quem era de outra região.

Um cientista florentino mal conseguia se comunicar com um poeta siciliano ou com um comerciante veneziano (exceto em latim, que não chegava a ser considerada a língua nacional).

No século XVI, alguns intelectuais italianos se juntaram e decidiram que isso era um absurdo. A península italiana precisava de um idioma italiano, pelo menos na forma escrita, que fosse comum a todos. Então esse grupo de intelectuais fez uma coisa inédita na história da Europa; escolheu a dedo o mais bonito dos dialetos locais e o batizou de italiano.

Para encontrar o dialeto mais bonito, eles precisaram recuar duzentos anos, até a Florença do século XIV. O que esse grupo decidiu que a partir dali seria considerada a língua italiana correta foi a linguagem pessoal do grande poeta florentino Dante Alighieri.

Ao publicar sua "Divina Comédia", em 1321, descrevendo em detalhes uma jornada visionária pelo Inferno, Purgatório e Paraíso, Dante havia chocado o mundo letrado ao não escrever em latim. Considerava o latim um idioma corrupto, elitista, e achava que o seu uso na prosa respeitável havia "prostituído a literatura", transformando a narrativa universal em algo que só podia ser comprado com dinheiro, por meio dos privilégios de uma educação aristocrática. Em vez disso, Dante foi buscar nas ruas o verdadeiro idioma florentino falado pelos moradores da cidade (o que incluía ilustres contemporâneos seus, como Boccaccio e Petrarca), e usou esse idioma para contar sua história.

Ele escreveu sua obra-prima no que chamava de dolce stil nuovo, o "doce estilo novo" do vernáculo, e moldou esse vernáculo ao mesmo tempo que escrevia, atribuindo-lhe uma personalidade de uma forma tão pessoal quanto Shakespeare um dia faria com o inglês elizabetano.

O fato de um grupo de intelectuais nacionalistas se reunir muito mais tarde e decidir que o italiano de Dante seria, a partir dali, a língua oficial da Itália seria mais ou menos como se um grupo de acadêmicos de Oxford houvesse se reunido um dia no século XIX e decidido que – daquele ponto em diante – todo mundo na Inglaterra iria falar o puro idioma de Shakespeare. E a manobra realmente funcionou.

O italiano que falamos hoje, portanto, não é o romano ou o veneziano (embora essas cidades fossem poderosas do ponto de vista militar e comercial), e sequer é inteiramente florentino. O idioma é fundamentalmente dantesco.

Nenhum outro idioma europeu tem uma linhagem tão artística. E, talvez, nenhum outro idioma jamais tenha sido tão perfeitamente ordenado para expressar os sentimentos humanos quanto esse italiano florentino do século XIV, embelezado por um dos maiores poetas da civilização ocidental.

Dante escreveu sua "Divina Comédia" em terza rima, terça rima, uma cadeia de versos em que cada rima se repete três vezes a cada cinco linhas, o que dá a esse belo vernáculo florentino o que os estudiosos chamam de "ritmo em cascata" - ritmo esse que sobrevive até hoje no falar cadenciado e poético dos taxistas, açougueiros e funcionários públicos italianos.

A última linha da "Divina Comédia", em que Dante se depara com a visão de Deus em pessoa, é um sentimento que ainda pode ser facilmente compreendido por qualquer um que conheça o chamado italiano moderno.

Dante escreve que Deus não é apenas uma imagem ofuscante de luz gloriosa, mas que Ele é, acima de tudo, l'amor che move Il sole e l'altre stelle... "O amor que move o sol e as outras estrelas..."