segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Mal explicado

Sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013.

Meu primeiro dia de férias. Saí para comprar algumas coisas antes de viajar e estava totalmente desligado de rádio, televisão e internet. Para mim, até então, estava sendo mais um dia comum. Meu telefone toca e é meu primo dizendo: Fabinho! Não tem jeito... o Palmeiras não tem jeito, só acontece coisa errada. Nessa altura ele imaginava que eu soubesse o que estava acontecendo - mas não - imaginei então que fosse mais alguma do Valdivia ou sei lá, qualquer dessas coisas que vivem acontecendo no Palmeiras, mas eu jamais imaginaria que seria a saída do Barcos, da noite para o dia, para um time brasileiro. Na hora meu passeio acabou e comecei buscar notícias desesperadamente. Mesmo tendo de enfrentar mais de 12 horas de viagem fiquei a todo tempo conectado buscando um só motivo convincente que me fizesse de alguma forma entender o que Brunoro e Paulo Nobre fizeram. Juro que esse é um tipo de coisa que eu não esperava dessa diretoria. Se o Tirone foi responsável pelo rebaixamento do Palmeiras no campo, a atitude de Brunoro rebaixou o Palmeiras fora dele, para uma condição de time de segundo escalão.

Entendo que a situação financeira é complicada e não me iludo com declarações de amor de jogador, era evidente que o Barcos queria sair e que também nessa altura do campeonato um bom dinheiro viria bem a calhar para o Palmeiras. Uma boa venda poderia ser questionada, mas não incompreendida. O grande problema é que neste caso algo não fecha, existe uma parte da história que ainda não sabemos. Como seria possível trocar o craque do time por jogadores por empréstimo, uma grana relativamente baixa e o pagamento de algumas dívidas e isso tudo em tempo recorde, na calada da noite, com um desespero absurdo em atender as necessidades do Grêmio e não do Palmeiras. Um dos nomes citados a princípio para troca era do Marcelo Moreno, eu tinha certeza absoluta que isso não iria rolar, não imaginaria que um sujeito que a pouco foi contratado por uma pequena fortuna aceitaria servir de moeda de troca para outro centroavante, ainda mais para um time que acabou de cair. Jogador tem o ego nas alturas. Não demorou muito para mais uma parte nojenta dessa história surgir. O Palmeiras vendeu o Barcos ao Grêmio mesmo sem ter certeza da moeda de troca, coisa de irmão, coisa que nos dias de hoje não se faz nem com um amigo. Seria como: Olha... toma aí meu melhor jogador e veja como e quando pode me pagar beleza!

Durante a viajem SMS de outro amigo: Viu o que o pai do Marcelo Moreno falou? Ligo o rádio e ouço o sujeito alterado e vomitando um monte de ofensas gratuitas a história do Palmeiras. Apesar da insignificância do safado não pude deixar de ficar com raiva de quem havia nos colocado numa situação dessas.

Mesmo após quatro dias muitas dúvidas ainda pairam sobre esse negócio. Que será feito agora que Marcelo Moreno não virá? Por que o Grêmio e por que essa confiança entre as partes? Por que agora, justo quando o contrato foi reformulado, o Palmeiras não exigiu um valor maior do que a proposta que surgiu no ano passado? Por favor, quem tiver tais respostas me passem, pois quero acreditar que essa gestão veio para profissionalizar o clube e não para jogar uma pá de cal na nossa história.

Imagino que todo palmeirense hoje esteja se sentindo como eu: puto, sem entender porra nenhuma do que aconteceu e com dois pés atrás com essa nova diretoria.

Parece-me que a paz política tão almejada acabou depois dessa! Infelizmente!

Adendo

Estava em Porto Iguazu no domingo e um vendedor argentino me atendeu usando uma camisa do Palmeiras. Não pude deixar de perguntar se ele era brasileiro ou o porquê de estar usando a camisa. Ele disse ser o único argentino palmeirense – apesar de ter o Boca Jr. como primeiro time – depois do que aconteceu na sexta-feira, acredito realmente que seja ele o único argentino palmeirense.

 

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Desânimo

A melhor palavra que descreve a minha sensação ontem após o jogo é: desânimo!

Desanima pensar que será mais um ano como coadjuvante nos campeonatos, suportando em campo um time medíocre e covarde. Por mais que temos ciência que a situação financeira e política do clube exija tempo para se equilibrar, nós torcedores vivemos do time em campo e entristece ver um time incapaz de impor sua superioridade a um XV de Piracicaba. Honestamente, com esse time do Palmeiras, sem reposições e com esse grau de confiança, tenho dúvidas até se a ascensão para série A será tão tranquila.  

A vitória fácil de 5ª feira contra o São Bernardo não refletiu exatamente o que foi o time. Os dois "pontas" Maikon Leite e Vinicius, são maus cruzadores e alçam poucas bolas aproveitáveis na área, além da péssima pontaria em arremates a gol, com isso o time erra muito e fica totalmente exposto nos contrataques. Márcio Araújo acaba ficando sobrecarregado na proteção a defesa, considerando sua já evidente deficiência técnica, deixando então os dois zagueiros e laterais todo momento no mano a mano com os atacantes. No caso do jogo contra o SBC a vantagem foi a que o Palmeiras saiu ganhando e o adversário se apequenou, com isso Valdivia conseguiu exercer seu papel e distribuir o jogo, algo que deveria acontecer com mais frequência. Já no jogo de ontem o XV saiu na frente e quem se enervou foi o Palmeiras, com isso o time passou a errar passes, chutes, cruzamentos e a cometer uma série de atrapalhadas na defesa. Valdivia se escondeu e só apareceu para cavar seu cartãozinho sagrado, já são dois em dois jogos como titular, um aproveitamento de 100%, se não se machucar para o jogo de quinta-feira que vem contra o Atlético de Sorocaba, deve ficar de fora do confronto contra o Mogi Mirim no domingo e assim poder passar o fim de semana no Chile. Wesley foi patético, nem o lendário Misso seria capaz de dar cruzamentos tão bizonhos. A sorte foi a de que num escanteio a bola sobrou para Henrique que soube chutar no gol com categoria.

No segundo tempo o time parecia ter melhorado com a entrada de Denoni no lugar de Vinicius e a volta ao 4.4.2. O time passou a mandar no jogo e até o improvável aconteceu, Marcio Araujo fez um belo gol, o gol da virada. Depois disso o Palmeiras voltou jogar mal e o XV cresceu. Márcio Araújo que tinha feito o gol da virada fez pênalti, na minha opinião não foi absolutamente nada, mas deve haver uma recomendação para os árbitros, na dúvida apite contra o Palmeiras. O XV voltou a empatar e foi questão de tempo para marcar o terceiro. Aos 47 do segundo tempo, na base do bumba meu boi, Henrique que estava na área, escorou de cabeça e conseguiu o empate no final da partida. Ainda teve tempo para o Valdivia se jogar no campo e meter a mão na coxa. Ali eu já pensei: Pronto! Agora mais um mês fora.

O time do Palmeiras é fraco, alias, muito fraco. Alguns jogadores chegam essa semana, a primeira vista nada muito animador, mas quem sabe não venham ao menos com um astral diferente. A grosso modo o Palmeiras precisava de um time novo, mas sabemos ser impossível. Acreditar em alguma conquista nesse primeiro semestre é um exercício incrível de otimismo. Duvido muito até mesmo que Kleina dure até o fim do Paulista. Nós palmeirenses temos de nos preparar para um ano de forte estiagem e muita humilhação.

 Patrocínio

 A contrato com a Kia Motors se encerrou no final de janeiro. Apesar de flagrantemente superestimado pela gestão passada, foi um bom contrato. Agora chega a fase das mentiras estratégicas. Lógico que para montadora não é negócio manter o valor com uma exposição infinitamente menor, principalmente quando se vislumbra as expectativa e potencial do time para o ano e o corte drástico de jogos transmitidos para televisão aberta. Mas não é "elegante" a Kia declarar isso e sustenta sua decisão no baixo desempenho do setor no mercado brasileiro. Me permitam aqui gargalhar em voz alta com os olhos lacrimejando. As montadoras ganham rios de dinheiro aqui no Brasil e tenho certeza absoluta que não é por isso, do contrário o Flamengo não teria acabado de assinar com a Peugeot. Não será muito fácil Paulo Nobre buscar no mercado alguma empresa que queira nesse momento investir no Palmeiras valores semelhantes aos de times rivais, mas eu acredito que se o presidente de fato mostrar solidez no projeto de reestruturação do Palmeiras é possível sim conseguir um novo e bom contrato de patrocínio. O próximo ano será o centenário do time e com a inauguração da arena existirá uma gama maior de possibilidades para ações com a torcida. Lembrando que independente da má fase do Palmeiras, são 15 milhões de torcedores por todo Brasil, sendo que grande parte desses são apaixonados e imunes ao modismo. É mais que a população do Estado da Bahia por exemplo. Vale a pena apostar.        

domingo, 27 de janeiro de 2013

O torcedor nunca está errado.

Mais um capítulo vexatório na história da S.E. Palmeiras, mesmo com um jogador a mais foi derrotado no Pacaembu pelo inexpressivo Penapolense. Diga-se de passagem, dessa vez nem ao menos temos do que reclamar de arbitragem, pelo contrário, o lance da expulsão do jogador do Penapolense foi de um rigor desproporcional.

O time do Palmeiras é um lixo, uma bosta, recheado de jogadores medíocres e com os estigmas da derrota. O jogo foi exatamente igual ao monte de outros jogos disputados em 2012, com o time correndo desesperado, criando chances muito mais na insistência do que na técnica e deixando espaço para que jogadores quase anônimos tripudiem e se consagrem em cima de uma camisa que um dia já intimidou. Infelizmente a situação era plenamente previsível, o time em nada mudou em relação ao que caiu - erro crasso - tendo em vista que o elenco já está desgastado com a torcida e era questão de tempo para ocorrerem situações como as de hoje. Manter vestindo a camisa do Palmeiras jogadores como Marcio Araujo, Luan, Maikon Leite, Valdivia, Juninho, Maurício Ramos e Mazinho é uma afronta ao torcedor. Pior ainda é ter de ouvir que Leandro Amaro, Patrick e Fabinho Capixaba serão reintegrados.

Não existe outro caminho a não ser a reformulação total do elenco. Entendo que Paulo Nobre assumiu agora, não tem nada haver com esse caos e está avançando bastante ao profissionalizar a gestão do futebol, porem, infelizmente a situação exige atitudes imediatas no time até para evitar um desgaste precoce na relação com a torcida. É inaceitável que não haja mudanças nesse elenco. Repito! Manter alguns jogadores no time é afrontar o torcedor.

E desculpem os torcedores que ainda apostam em algumas figuras que lá estão. No caso específico do protesto estou 100% a favor dos que vaiaram. Em muitos casos discordo das organizadas, mas não nesse. Não é a pressão da torcida que faz o time cair de rendimento, mas é o baixo rendimento que faz cair o apoio da torcida. Espero que essa nova diretoria perceba que a relação entre Palmeiras e os jogadores da queda não pode mais existir.  

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

A derrota da base

Na sexta-feira passada a seleção brasileira Sub 20 foi eliminada na Copa Sul-americana pela tradicional seleção peruana na primeira fase da competição. O técnico do Flamengo Dorival Junior deu uma declaração muito forte sobre as categorias de base do futebol brasileiro, alegando que aqui nunca soubemos trabalhar os fundamentos na base, dependendo apenas do dom natural dos atletas, enquanto em outros países o trabalho tem sido feito de maneira série e a consequência é o declínio do futebol nacional perante a ascensão de Espanha, Alemanha, entre outros.

Ontem o Palmeiras foi eliminado de mais uma copinha, até aí dane-se, se revelar um só jogador que brilhe no time de cima já vale mais que qualquer título. Mas o que reparei e que me deixou inconformado, tanto do lado do Palmeiras e quanto do Santos é que os jogadores de base aprendem toda catimba e marra do futebol brasileiro, mas não são capazes de sequer cobrar um escanteio com eficiência. O time do Santos é algo nojento, além do garoto que marcou os três gols, que tenta ser uma cópia do Neymar, todo o time tem aquele hábito desgraçado de cavar faltas ou valorizar um encontrão e o pior é que o árbitro apita todas. Chega a parecer aqueles filmes chineses de Kung Fu, um simples ombro a ombro é suficiente para o cara se jogar para lateral do campo e fazer uma cara de sofrimento como se tivesse sofrido uma fratura exposta. Essa é a base do futebol brasileiro atual, jogadores aprendendo o estilo boleiro, com seus cabelos moicanos, chuteiras coloridas, correntes, camisa Hollister, mas que só se preocupam em aprender driblar para fazer graça para TV e mal sabem cobrar uma falta, escanteio ou chutar no gol. O Vinicius do palmeiras se enquadra nisso, todas as bolas que ele pega ele da uma penteada, mas por fim nada de útil é produzido. Infelizmente esse é um mal geral e não só privilégio de Palmeiras ou Santos, ele está enraizado em nossa cultura atual e já afeta não só o futebol, mas também o próprio desenvolvimento do país.

Estamos hoje falando em contratar um jogador argentino de 34 anos, que está parado há 6 meses,  pagando R$500 mil por mês, porque não há um meia-esquerda na base ou em qualquer time pequeno capaz de pensar uma jogada. Os meias de destaque hoje no Brasil são argentinos. Cobramos que o Palmeiras contrate, contrate e contrate.. precisamos de um zagueiro, um volante, um meia esquerda e um segundo atacante e me falem, quem contratar? Quem tem no mercado? São os mesmos de sempre, que surge especulação em toda janela de contratação e que tem 50 times atrás. Os times do interior estão repletos de jogadores velhos, que em outros tempos já teriam sido aposentados pela falta de espaço.   

Ontem me decepcionei, não pela derrota, mas por notar que na base do Palmeiras não tem um jogador pronto para servir o time e pelo menos nos jogos que vi, nem em outros times tem.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Os doze trabalhos de Nobre

No final da noite o palmeirense enfim pode conhecer seu novo presidente. A expectativa em cima dessa eleição foi algo absurdo, talvez só tenha sido superada pela de Beluzzo, com a diferença que naquela oportunidade havia dois lados distintos – Reformistas VS aliados de Mustafá – para os palmeirenses o bem contra o mal, já nessas eleições não existia esse maniqueísmo, em ambos os lados era possível reconhecer boas propostas e alguns aliados inglórios, o mal no caso era o que estava no poder e essa deriva maldita que o Palmeiras foi deixado. O palmeirense talvez tenha vivido o pior momento de sua história principalmente nesses 3 últimos meses, onde além de rebaixado o time estava sem representação, desgovernado e tomando pedrada de todo lado. Um novo presidente nessa altura representa quase a conquista de um título, por isso as tantas manifestações de esperança de palmeirenses nas ruas ou nas redes sociais. Paulo Nobre traz consigo uma grande vantagem que ele precisa saber usar, sua imagem jovem e uma certa moral com os meios de comunicação transmite credibilidade e boa expectativa e automaticamente terá um período de trégua da imprensa e torcida. Hoje mesmo meus amigos corintianos me abordaram dizendo: Acho que esse Paulo Nobre será uma boa para o Palmeiras heim! Como eu disse algumas vezes aqui, as vezes vale mais para as pessoas em geral parecer ser bom do que ser de fato bom, no caso a expectativa é que é que a imagem seja condizente a competência. Carisma é fundamental para um líder, Paulo Nobre mostrou nas oportunidades em que teve, ser um sujeito que sabe se expressar, conhecedor de conceitos modernos de administração, bem sucedido em sua vida pessoal e que ama o Palmeiras, mesmo quando perguntado sobre o apoio de Mustafá Contursi ou do rompimento com Beluzzo, soube sair da saia justa numa boa sem se comprometer. Veja o caso de Tirone, sua pouca habilidade em se comunicar e sua imagem boçal trouxeram grandes problemas desde início. Eu não me arrisco a dizer que Nobre trará um novo tempo ao Palmeiras, não o conheço além do que li na imprensa ao seu respeito, mas torço demais e acredito sim que pelas sua propostas e pelo apoio que os palmeirenses estão dando a ele, que há chances reais de ser um grande líder. Comenta-se a respeito de Brunoro no comando do futebol e da profissionalização dos departamentos vitais, se começar nesse pé já é um grande alento. Agora resta saber como ele irá se portar diante aos grandes desafios que terá pela frente para colocar seu plano em prática. Usando uma analogia aos trabalhos que Hércules teve de realizar para se tornar imortal, descrevo abaixo o que são para mim os principais desafios para que Paulo Nobre tenha sucesso:

1 – Conseguir manter o apoio político sem ter de abrir concessões que comprometam suas metas. Sabemos como funciona a política, apesar de na teoria todos se declararem a favor do Palmeiras em primeiro lugar, na prática cada grupo possui seus objetivos próprios e não pensarão duas vezes para exercer algum tipo de retaliação quando seus interesses não forem atendidos. Já assistimos isso. Paulo Nobre terá de ter muito jogo de cintura para tentar implantar as mudanças necessárias no estatuto sem perder o apoio majoritário.

2 – Motivar elenco e técnico atual. Dificilmente em pouco tempo e com pouco dinheiro será possível fazer a reforma no elenco que o Palmeiras precisa, além disso os jogadores que lá estão dão sinais claros de desmotivação e falta de confiança. Na saída do jogo contra o Bragantino, Henrique expôs claramente que até os jogadores estavam ansiosos pelas eleições. Resta ao presidente agora contratar bons profissionais para gerir o elenco e dar suporte ao treinador, além de motivar o grupo e resolver pendências financeiras.

3 – Acalmar os ânimos da torcida. Apesar do grande apoio que a torcida possa dar nesse início de mandato, tão logo surjam os primeiros revezes pode ter certeza que o torcedor vai cobrar. A culpa pela queda para série B e pelo caos financeiro não é do presidente eleito e é evidente que problemas acumulados de 20 anos não são resolvidos em 6 meses, mas o torcedor é impaciente e quer ver o Palmeiras protagonizando os campeonatos. A cobrança por reforços já deve vir nos primeiros dias de mandato e será uma prova de fogo para popularidade de Paulo Nobre.

4 – Marketing. Está aí um abacaxi enorme a ser descascado, alias, vários. O Palmeiras possui um profissional contratado no final da gestão Tirone, que com certeza tem uma multa rescisória no caso de rompimento de contrato, independente de sua competência, não da para garantir que ele agrada Paulo Nobre. Além disso nesses próximos dois anos teremos uma série de eventos importantes que precisam ser muito bem planejados e executados: centenário do Palmeiras, inauguração da Arena Palestra Itália e Copa do Mundo. Ficou para essa gestão também a inauguração das lojas oficiais, renovação de contrato de patrocínio master e pendência jurídica com a Samsung. Podemos ainda citar que o Palmeiras está sem dinheiro para investir no elenco e caberá ao marketing captar mais recursos. O programa de sócio torcedor está aí, relativamente bem feito, mas aparentemente com um número muito modesto de associados, principalmente se comparado a outros times brasileiros.

5 – Jogadores problemas. Além de Valdivia que é o caso mais evidente, o Palmeiras possui uma cacetada de atletas caros encostados ou emprestados para outros times com o Palmeiras pagando parte do salário. O Vitor lateral por exemplo, renovou empréstimo com o Goiás e o Palmeiras que paga metade. Isso onera muito a folha de pagamento e trava financeiramente o clube. Caberá ao presidente enxugar esses gastos e ter um melhor planejamento de elenco, para que futuramente não tenhamos novos Tadeus ou Fabinhos Capixabas sendo pagos e não jogando.

6 – Relacionamento com a imprensa. Como eu digo aqui, o Palmeiras virou a Geni do futebol, todo mundo gosta de bater e cuspir. Mesmo quando algo comum a todos clubes ocorre no Palmeiras, isso é noticiado de forma jocosa e pejorativa. Grande parte dessa culpa é do próprio Palmeiras que nunca soube trabalhar bem sua imagem nos bastidores. Isso atrapalha muito o time, pois passa ao mercado uma imagem ruim impedindo a aproximação de parceiros e de bons jogadores. Paulo Nobre terá de dar uma importância maior a essa relação, pois a fritura midiática influi diretamente no sucesso ou fracasso de uma gestão. Ainda nesse gancho é preciso acertar os ponteiros com a rede Globo, o Palmeiras precisa ser tratado com mais respeito nas negociações por cotas e para isso há de se colocar gente hábil para fazer esse meio-campo.

7 – Relação com Federações. Essa atingiu seu ponto mais profundo de declínio na última administração. O Palmeiras hoje não tem representatividade alguma na CBF, FPF, FIFA ou Sulamericana, isso tem relação direta com os constantes erros de arbitragem e a tabela desfavorável a nós. Restabelecer a representatividade e o respeito é vital para as pretensões do Palmeiras.  

8 – Sanar e renegociar as dividas. Há números conflitantes quanto a dívida do Palmeiras e o adiantamento de cotas, mas todos eles são dramáticos. Será impossível recuperar isso em pouco tempo, mas que pelo menos o pagamento dessas dividas não impeçam o time de fazer novos investimentos.

9 – Reverter a queda de torcedores. O Palmeiras tem perdido muitos torcedores jovens. Sei que a conversa é de que o importante é a qualidade e não a quantidade de torcida, mas não podemos pensar desse jeito. O Palmeiras precisa ser um time próximo dos mais jovens e no mínimo manter  seu número de torcedores. Isso não é só título que trás, mas é da relação entre time e torcida. Paulo Nobre terá o papel fundamental de abrir as portas do Palmeiras ao palmeirense, independente de origem, região, idade ou sexo.

10 – Montar um grande time no centenário. Acredito que mesmo torcendo o nariz o palmeirense até suportaria um ano de 2013 mais modesto, apenas com a ascensão para série A e um time que honre nos campeonatos que disputar, mas duvido suportar um time medíocre em 2014. Não será fácil o desafio, principalmente em ano de copa e tendo times com cofre cheio em todo canto do país, mas no centenário é obrigação.

11 – Deixar um legado. O grande problema no Palmeiras é que a cada administração destrói-se tudo que foi da anterior, sendo algo bom ou ruim. Isso pelas brigas políticas e a mania de lotear cargos para aliados. Paulo Nobre fala em profissionalizar, mas de nada vai adiantar contratar uma série de gestores se ao final dos dois anos tudo for desmanchado. É preciso criar uma mentalidade de continuidade dos projetos independente da gestão. Caso no mandato de 2015 tudo seja jogado fora, estaremos mais uma vez patinando.

12 – Honrar a o Palmeiras. Acima de tudo ter postura digna e fazer o palmeirense enfim ter orgulho de um líder.  

Boa sorte Paulo Nobre! Nós palmeirenses torcemos por você e não deixaremos de cobrar quando for preciso!

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Não se ensina novos truques para cachorros velhos

Honestamente para mim o placar de ontem era o menos importante. Mesmo que Barcos convertesse o pênalti e o Palmeiras vencesse por 1 x 0 o principal para nós Palmeirenses seria uma postura nova, coisa que não pudemos ver pois a base do time é a mesma do rebaixado. Não to querendo dizer que uma vitória não seria uma boa, até poderia ser pela classificação ou por começar o ano de forma positiva, mas sejamos honestos: mudaria alguma coisa ganhar de 1 x 0 chorado do Bragantino vendo mais uma vez em campo, Marcio Araújo, Luan, Juninho, Mazinho, Maykon Leite... Óbvio que não! Como diz o ditado: Não se ensina truques novos para cachorro velho. Esses jogadores carregam os estigmas do rebaixamento, trazem um flashback dramático de um tempo que não queremos mais lembrar. Para todos os times começou 2013, mas para nós esse ano só começará a partir de amanhã, com a posse do novo presidente.

Lógico que as coisas não acontecerão da noite para o dia, lamentavelmente a inércia doentia que se arrastou por toda essa intertemporada comprometerá o primeiro semestre desse ano. O próximo presidente terá pouco tempo para remendar esse time, com poucas opções no mercado e com pouco dinheiro e credibilidade, justamente em um ano que os principais rivais fizeram contratações importantes. Temos que compreender que nosso ritmo por enquanto é outro e nossa expectativa tem de estar mais direcionada às mudanças que precisam ocorrer fora e tenho esperança que ocorrerão, pois mesmo as figuras mais nefastas tem consciência que nesse grau de estagnação e degradação em pouco tempo não restará nem tribo para eles serem caciques, fora que as novas gerações já deram sinais claros que a mudança é inevitável e quem nesse momento se por contra será atropelado. Na mente maquiavélica dessa gente é hora do tal recuo estratégico.

 Que venha o novo! Seja ele quem ou o que for! 2013 precisa começar!

 

Diretas e eleições

 

Não sou sócio do clube e somente acompanho o que lá dentro ocorre por meio da imprensa, principalmente a mídia palestrina. Sempre tive a impressão que as eleições diretas restritas aos sócios do clube não trariam grandes mudanças pois um associado não é necessariamente um torcedor e sendo assim seus anseios podem ter outra direção. Mas acompanhando a movimentação de torcedores sócios do clube, que quase diariamente lutam pela mudança do Palmeiras e com a comprovação desse desejo de mudança nas urnas de sábado, passo a acreditar que o Palmeiras deu um passo decisivo para mudança essencial para sua grandeza. A vitoria absoluta demonstra que os sócios não confiam mais sua escolha aos velhacos conselheiros, alias, que a muito tempo não confiam mas que só agora tiveram a oportunidade de endossar isso. É também uma mensagem clara que o Palmeiras não pertence a meia dúzia de famílias, que está na hora dessa gente passar o bastão para novas lideranças e de dar satisfação para o torcedor que agora tem um estímulo a mais para se tornar sócio do clube. Outro avanço considerável é o fato de as eleições serem em dezembro, algo que nos teria feito muito bem esse ano.

Nas eleições de hoje torço para o melhor. Ambos tem propostas semelhantes e fundamentais, o que irá diferenciar é a capacidade de cada um em botá-las em prática. Também tem ciência da importância desse mandato, que inclui o centenário e a inauguração do novo estádio, além de ser a primeira administração que passará pelo crivo do voto direto em seu final.

Estou otimista.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Uma semana

 Falta exatamente uma semana para que se conclua o mandato mais esdrúxulo e nefasto da história do Palmeiras. Resta ainda mais uma semana para suportarmos declarações imbecis, descaso com o clube, humilhação e omissão na montagem do time. Infelizmente esse período de quase dois meses em que a administração do Palmeiras se arrastou desde o fim do brasileiro deverão comprometer o resto do ano, dificilmente a chance de o Palmeiras protagonizar algo, com exceção da série B, é muito pequena. Perdemos a credibilidade no mercado, os jogadores preterem o Palmeiras na disputa com qualquer outro clube pois o caos político do clube já expande seu odor fétido para muito além da Turiaçú. Em meio a tudo isso Tirone aproveita seus últimos dias como presidente para dar entrevistas e participar de eventos representando o Palmeiras com sua figura patética de riso fácil do tipo que qualquer um, a quilômetros de distancia, identifica como otário. 

Ao ver Tirone sempre surge a pergunta: como um sujeito como este conseguiu se tornar presidente de um grande clube? Qualquer prévia simples de qualquer tipo de instituição jamais o colocaria como candidato a qualquer cargo. Arnaldo Tirone é do tipo de fruto que só a política palmeirense pode gerar, só um meio tão cansado, turvo e tumultuado pode resultar num consenso em cima de um indivíduo sem qualquer aptidão à liderança, provavelmente essa ausência de virtudes tenha sido fundamental para conseguir unir sob uma mesma chapa gente de interesses tão distintos e ao mesmo tempo tão semelhantes em seus objetivos finais  - o de favorecimento próprio. O Frankenstein político formado ao fim da gestão Beluzzo, que uniu velhos coronéis que nós palmeirenses estamos (infelizmente) habituados a ouvir os sobrenomes, jamais teria criado consenso sob um individuo de opiniões fortes ou que tendesse a favorecer um dos lados, Arnaldo Tirone cabia como uma luva nesse cenário pois conseguia personalizar o único ponto em comum entre essas vertentes que buscavam coalizão – a infâmia. Seu sobrenome também lhe favorecia uma vez que, tal qual seus pares, pertence a uma família tradicional dentro do Palmeiras. Para não ser maniqueísta ou injusto a oposição (situação da época) também teve enorme responsabilidade, uma vez que se fragmentou em brigas, perdeu a chance de implantar grandes e necessárias mudanças ao estatuto do clube, fez dividas colossais e permitiu o retorno de Salvador Hugo Palaia aos holofotes.

Com esse estilo "inofensivo" Tirone conseguiu ser eleito e passou quase os 6 primeiros meses no ócio alegando que ainda estava tomando ciência da situação do clube e que a saúde financeira era péssima – argumento muito atraente para um presidente repetir insistentemente em entrevistas não é mesmo? Imagino o número de investidores e jogadores que queiram se alinhar a um clube o qual o presidente fala aos quatro cantos que está a beira da falência. Frizzo desde o início foi seu fiel escudeiro, como zorro e tonto ou vice-versa. Tirone entrou também num momento fundamental para futebol brasileiro e para o Palmeiras, em que se discutia a nova divisão de cotas de TV, o presidente fez um "belo" trabalho e mostrou seu "estilo", colocando o Palmeiras como coadjuvante nas discussões e por fim aceitando o que lhe deram. Mas esse estilo mureta não duraria muito tempo, pois uma hora aqueles que o colocaram lá também cobrariam a conta através de posições políticas e cargos e nesse cabo de guerra Mustafá foi o primeiro a anunciar seu rompimento com o nosso nobre banana, devido principalmente ao ímpeto de rancor do Mumu que exigia demissão imediata de todos que prestaram serviço a administração anterior.  Depois disso começou o bombardeio via imprensa, guerrilha peculiar a turma mustafista e muito usada contra Beluzzo, distribuindo documentos e fofocas internas aos abutres da imprensa. Tirone, Frizzo e Piraci saiam fazendo cagadas atrás de cagadas e dando declarações que deixaria qualquer ex-BBB no chinelo, com essas atitudes cada vez mais repercutidas pela imprensa restava poucos argumentos para defendê-los. O título da Copa do Brasil foi como uma barraca de coco gelado no meio do deserto, a conquista deu um fôlego ao presidente, que poderia ter aproveitado para dar um novo rumo a sua administração, mas ele não aproveitou, bebeu o coco até acabar, dormiu em berço esplêndido e a inércia lhe castigou com o rebaixamento, alias, castigou a nós palmeirenses, pois o presidente foi visto horas depois de bermuda e boné tomando um sol no Rio de Janeiro. Desde então o que assistimos sem poder fazer nada é um esfacelamento da história do Palmeiras, uma depredação pública de um time quase centenário, de inúmeras glórias que por muitos anos foi protagonista em qualquer competição que disputava. Mesmo assim Tirone continua lá, com um ar tão boçal que beira a demência, não se vê em seu rosto preocupação, abatimento, culpa, nada que indique que no fundo algum dia ele entendeu a importância que tem o time que ele dirige para milhões de pessoas.

E hoje estamos nós contando os dias para que termine esse mandato, mesmo sem ter a certeza do que nos espera, pois a essa altura qualquer coisa é melhor que essa inércia dramática.

Uma semana!